Local: Praça do Comércio, Lisboa O mundo cristão estava prestes a ter uma nova fase na sua já longa história. Uma das promessas mais importantes da Bíblia, o regresso de Cristo à terra, veio causar um impacto tão grande que deu origem a um novo movimento dentro do cristianismo. No primeiro episódio desta série vimos como no discurso de Jesus, registrado em Mateus 24, ele alertava para a destruição de Jerusalém no primeiro século, alerta esse que serviu para que nenhum cristão fosse morto nesse trágico evento. No entanto, nesse mesmo discurso, Jesus afirmava que iria regressar, e que haviam sinais para que os Cristãos soubessem quando o seu regresso se aproximaria. Olá Eu sou o Jefferson Araújo… E eu sou o Rúben Fernandes, e sejam bem-vindos à terceira temporada desta incrível viagem pela história do cristianismo. Iremos começar precisamente aqui em Lisboa! Sabia, que esta foi a cidade onde se cumpriu o primeiro sinal profetizado por Cristo lá no monte das oliveiras? Foi precisamente lá no monte das Oliveiras, que Jesus fez o seu discurso mais famoso. Foi um desenrolar de profecias, que foram moldando o Cristianismo ao longo da história. Neste discurso, Jesus mencionou quatro sinais que seriam um alerta, avisando o seu povo que o seu regresso se aproximava. Mas Jesus não apenas os menciona, como explica que eles viriam por volta do final do período de tribulação. Como também vimos nos episódios anteriores, esse período de perseguição a todos os que apenas queriam seguir a Bíblia de acordo com a sua consciência, terminou em 1798. Precisamente quando após a invasão francesa aos Estados Papais, o Papa Pio VI foi preso, tendo a igreja de Roma perdido a sua autoridade, e levando ao final dessa perseguição. Isso significa que esses sinais preditos por Jesus, deveriam acontecer por volta do final dessa mesma perseguição. Esses sinais que realmente aconteceram entre o século 18 e 19, foram incríveis fenômenos naturais, que não poderiam ter sido imitados ou provocados pelo homem. No entanto, séculos antes, Jesus afirmou que eles iriam acontecer. Mas afinal, que sinais foram esses? Local: Convento do Carmo, Lisboa Numa manhã tranquila de 1º de novembro de 1755, o mundo testemunharia um dos eventos mais catastróficos da história moderna. O Terremoto de Lisboa, uma calamidade que não só abalou as fundações da cidade mas também sacudiu as convicções da Europa Iluminista. Às 9:40 da manhã, sob o céu claro de um dia dedicado a todos os santos, a terra começou a tremer. Originado no Atlântico, perto do Cabo de São Vicente, o sismo alcançou uma magnitude estimada entre 8.5 e 9.0 na escala Richter. Sua força devastadora foi sentida em vastas regiões, da Groenlândia às Índias Ocidentais, da Noruega à Argélia. Em Lisboa, o desastre se desdobrou em três atos trágicos: o terremoto, um tsunami avassalador e incêndios incontroláveis. O mar recuou inicialmente, revelando o leito marinho seco, antes de voltar em fúria com ondas de até vinte metros, engolindo tudo em seu caminho. A cidade, repleta de fiéis nas igrejas para a celebração do dia santo, viu-se subitamente em ruínas. O cais, uma maravilha de mármore, desapareceu sob as águas, levando consigo centenas de vidas. Em questão de minutos, a paisagem de Lisboa estava irreconhecível. Mas a catástrofe não parou por aí. Incêndios surgiram entre os escombros, consumindo o que restava da cidade durante dias. O cenário era apocalíptico. O povo de Lisboa, em desespero, clamava por misericórdia, muitos acreditando ser o fim do mundo. Estima-se que até noventa mil almas pereceram naquele fatídico dia. O Terremoto de Lisboa de 1755 não foi apenas uma tragédia natural; foi um evento que questionou a razão e a fé, inspirando debates filosóficos sobre o mal, a justiça divina e a ordem natural. O Terremoto de Lisboa de 1755 permanece gravado na memória coletiva como um lembrete da força implacável da natureza, uma catástrofe que mudou a cidade e o mundo para sempre. Após o devastador Terremoto de Lisboa em 1755, a história do cristianismo e a interpretação dos sinais da Segunda Vinda de Jesus, atravessa o Atlântico, rumo a um novo cenário: os Estados Unidos da América. Aliás, como vimos no episódio anterior, os cristãos fiéis à Bíblia, encontraram do outro lado do oceano, um local onde podia exercer a sua fé, sem a perseguição das igrejas oficiais da Europa. É lá que a história do Cristianismo continua. Local: Old Sturbridge Village, Sturbridge, MA Após o terremoto de Lisboa em 1755, a atenção da humanidade foi novamente capturada por um fenômeno extraordinário, desta vez, não na Europa, mas no coração do Novo Mundo. Vinte e cinco anos mais tarde, os céus sobre a Nova Inglaterra testemunharam um evento que entraria para a história como "o Dia Escuro". Era 19 de maio de 1780. O sol nasceu claro, mas logo foi encoberto. O que começou como um dia comum transformou-se rapidamente em uma escuridão tão profunda que acendeu temores, ansiedades e prenúncios do fim dos tempos entre os habitantes. Precisamente aqui, em Massachusetts, testemunhas descreveram como a luz do dia deu lugar a uma escuridão sobrenatural. Relâmpagos cortavam o céu enquanto uma pesada nuvem negra se espalhava, deixando apenas uma estreita faixa de horizonte visível. Tão escura era a noite às nove horas da manhã que as pessoas acendiam velas para conseguir ver alguma coisa. O medo se espalhou. As escolas suspenderam as aulas, os trabalhadores deixaram seus postos, e as famílias se reuniam em busca de conforto. Em meio à escuridão, congregações se formavam em igrejas, buscando respostas e consolo na fé. O Dr. Natanael Whittaker, em Salém, viu nas trevas um sinal sobrenatural e pregou com fervor sobre o significado profético daquele dia. Em toda a Nova Inglaterra, sermões apontavam para as escrituras, buscando nas palavras dos profetas uma explicação. A escuridão do dia foi seguida por uma noite ainda mais incomum. Apesar da lua cheia, uma escuridão impenetrável cobriu a terra, e a lua, quando finalmente visível, parecia tingida de sangue. Este evento sem precedentes ficou conhecido como "o Dia Escuro". Historiadores e cientistas têm buscado explicações, mas nenhum fenômeno natural conhecido até hoje pode explicar completamente a escuridão que cobriu a Nova Inglaterra naquele dia de 1780. Para os crisãos do novo mundo, esse dia foi um cumprimento direto das palavras de Cristo, um sinal profético que antecede o grande e terrível dia do Senhor. Foi um lembrete poderoso de que, em meio às certezas da vida cotidiana, existem mistérios que transcendem nossa compreensão. Local: Colonial Williamsburg Visitor Center, Williamsburg, VA Após o Dia Escuro de 1780, o céu noturno seria palco do próximo grande sinal profético, um evento que marcaria a memória de uma nação e reacendeu debates sobre o destino final da humanidade. Era a noite de 13 de novembro de 1833. Enquanto a América dormia, o firmamento preparava-se para um espetáculo sem precedentes. O que se seguiu foi uma das mais impressionantes chuvas de meteoros já registradas, conhecida como "A Noite em que as Estrelas Caíram". Por toda a América do Norte, de costa a costa, um véu de luzes deslumbrantes cobriu o céu. Milhares, talvez milhões de meteoros, iluminaram a escuridão, transformando a noite em dia. Os relatos deste eventos nos jornais da época são impressionantes, por exemplo na publicação Christian Advocate and Journal, de 13 de dezembro de 1833, se podia ler que: “Nenhuma expressão, na verdade, pode chegar à altura do esplendor daquela exibição magnificente; ...pessoa alguma que não a testemunhou pode ter uma concepção adequada de sua glória. Dir-se-ia que todas as estrelas se houvessem reunido em um ponto próximo do zênite, e dali fossem simultaneamente arrojadas, com a velocidade do relâmpago, a todas as partes do horizonte; e, no entanto, não se exauriam, seguindo-se milhares celeremente no rastro de milhares, como se houvessem sido criadas para a ocasião.” Já no Journal of Commerce, de Nova Iorque, de 14 de novembro de 1833, apareceu um longo artigo considerando esse maravilhoso fenômeno, onde mencionava que: “Nenhum filósofo ou sábio mencionou ou registrou, suponho-o eu, um acontecimento semelhante ao de ontem de manhã. Um profeta há mil e oitocentos anos predisse-o exatamente — se não nos furtamos ao incômodo de compreender o chuveiro de estrelas como a queda das mesmas, ... no único sentido em que é possível ser isso literalmente verdade.” Este jornal mencionou que um profeta, há mil e oitocentos anos, teria predito exatamente tal acontecimento, desafiando a compreensão contemporânea. Outra publicação, The Old Countryman, no Advertiser, vespertino de Portland, de 26 de novembro de 1833 relatava que: “Não era possível contemplar um quadro mais fiel de uma figueira lançando seus figos quando açoitada por um vento forte.” O espetáculo foi tão grandioso que foi comparado a figueiras lançando seus figos sob a força de um vento poderoso, uma imagem diretamente retirada das profecias bíblicas. Esta chuva de meteoros não foi apenas um fenômeno astronômico. Foi interpretada como um sinal divino, um prenúncio do juízo final e da iminente Segunda Vinda de Cristo. A chuva de meteoros de 1833 acendeu um fervor religioso, levando muitos a refletir sobre as profecias e a proximidade do fim dos tempos. Em meio ao esplendor e ao terror, a humanidade foi lembrada de sua fragilidade e da majestade do universo. Este evento celestial reforçou a crença no advento iminente e movimentou a sociedade americana em direção a uma profunda introspecção espiritual. A "Noite em que as Estrelas Caíram" permanece gravada na história como um momento de maravilha e advertência, um lembrete eterno das palavras proféticas e da eterna busca por significado além do visível. No Novo Mundo, longe das ruínas de Lisboa, a busca por compreensão e significado nos sinais dos tempos encontrou terreno fértil. A América, com sua promessa de liberdade e novos começos, tornou-se o epicentro de um despertar religioso sem precedentes. Foi aqui neste país, que um movimento de renovação espiritual se iniciou. O Grande Despertar reacendeu a fé e a expectativa da iminente Segunda Vinda de Cristo, com pregadores itinerantes espalhando a mensagem de salvação e redenção. Mas também foi aqui, como vimos, que os restantes sinais preditos por Jesus aconteceram. A transição da história do cristianismo da Europa para os Estados Unidos reflete uma jornada de fé renovada, marcada por eventos históricos e naturais interpretados como sinais divinos. A América, com sua história entrelaçada de avivamento e inovação, tornou-se um palco central para a contínua busca pela compreensão dos mistérios divinos e da eterna esperança na Segunda Vinda. Assim, a narrativa do cristianismo, enriquecida por séculos de fé, tragédia e renovação, continua a evoluir, sempre olhando para o futuro com esperança e expectativa. Esses eventos celestiais, interpretados por muitos como sinais proféticos, reacenderam debates sobre o significado e a direção da existência humana. Em meio a essas reflexões, surgiram vozes que guiaram a compreensão do cristianismo para uma nova era. Uma dessas vozes pertencia a William Miller, um homem cujas interpretações das profecias bíblicas capturaram a imaginação do povo americano e influenciaram profundamente a história do cristianismo nos Estados Unidos. No próximo episódio de nossa jornada através da história do cristianismo e do Grande Conflito entre o bem e o mal, mergulharemos na vida e no legado de William Miller. Exploraremos como suas previsões sobre a Segunda Vinda de Cristo desencadearam um movimento de fé, esperança e controvérsia que ainda ressoa hoje.